

Mark Herman, antes deste, só havia dirigido comédias de pouca importância. Comandar O Menino do Pijama Listrado - sendo também responsável pelo roteiro - é um grande passo na sua carreira. E muito bem dado. Ele filma um tema sensível e difícil com muita habilidade, segurando sempre para não acabar com um óbvio filme antinazismo nas mãos - o que faria dele apenas mais um entre tantos. Apesar de, claro, haver a crítica à lavagem cerebral da SS, o ponto aqui é a turbulência na vida de um pequeno garoto de 8 anos.
Asa Butterfield, o garoto, atua bem, em um papel nada fácil, mas não é dos melhores atores mirins dos últimos tempos. Ele é acompanhado por David Thewlis e Vera Farmiga como seus pais, em bons papéis coadjuvantes, especialmente Farmiga. Jack Scanlon, o amigo judeu, é ligeiramente melhor, mas aparece menos. Herman não consegue, ainda, tirar dos seus atores tudo que eles poderiam dar.
Apesar de já conhecermos a história, e sabermos tudo que o jovem Bruno irá descobrir, somos bem conduzidos na passagem das brincadeiras para o tédio e depois para a incompreensão do menino - cuja inocência impede até mesmo que o ideário nazista entre em sua cabeça. Um filme bonito na maior parte do tempo, com um final ríspido e forte. Bem feito o suficiente para ser ótimo e, ainda assim, nos manter na lembrança o que é possivelmente uma das piores feridas da humanidade.










