15 junho, 2011

Kung Fu Panda 2 (Kun Fu Panda 2)


Hollywood é, antes de tudo, um negócio. Então, se um filme fez sucesso, é bastante provável que uma continuação será feita. Se isso pode gerar resultados péssimos como Se Beber Não Case 2, felizmente no mundo da animação a perda é um pouco menor - salvo no caso do Shrek, que foi piorando até ser salvo pelo número 4. Kung Fu Panda 2 é a típica continuação feita para arrancar nosso precioso dinheirinho: a mesma fórmula, o mesmo ritmo e, como tudo hoje em dia, 3D.

A direção saiu das mãos de Mark Osborne e John Stevenson para as de Jennifer Yuh, que foi uma das artistas responsáveis pela história no primeiro, e que antes disso só tinha experimentado dirigir em um episódio da série animada Spawn. O visual do filme enriqueceu com mais cenários e uma iluminação mais atenciosa. E isso é quase tudo que há de evolução.

Claro, continua divertido, e muito. É impressionante a qualidade da animação, especialmente nas cenas de luta, e o humor é bem afiado - o suficiente para fazer adultos rirem também. A história, que agora gira em torno da dualidade salvar o kung fu e conseguir a paz interior, tem as moralidades de sempre, mas sem ser muito piegas. Pela lista de dubladores originais, pode-se imaginar que as atuações são muito boas - infelizmente este crítico não assistiu a versão legendada. Mas como o Brasil é um dos melhores dubladores do mundo, a qualidade da versao nacional é muito boa. Típico filme de férias, abrindo a temporada dos grandes lançamentos do verão no hemistério norte, Kung Fu Panda 2  é um bom programa para quem tem crianças por perto - ou para quem secretamente quer alimentar a criança interior.

13 junho, 2011

X-Men - Primeira Classe (X-Men: First Class)



Num não tão longínquo 2000 estreava a primeira adaptação na nova geração de filmes baseados em quadrinhos da Marvel, o primeiro X-Men. Como sempre, críticos e fãs divergiram quanto ao embate entre qualidade cinematográfica e fidelidade à origem da história. Três continuações depois, nem todas bem sucedidas, caímos na quase inevitável “prequência”, o filme que mostra o início de tudo. Para o desespero ds puristas dos quadrinhos, a First Class desses X-Men não tem Cíclope, Jean Grey, Iceman e Arcanjo.

Felizmente, há qualidades. A história, baseada nos diferentes começos de Charles Xavier e Eric Lansherr, e na relação entre eles, usa de forma inteligente eventos reais da época da Guerra Fria em seu auge. Usa bem os efeitos especiais, e também o elenco.

Inicialmente, este filme seria sobre Magneto. O alemão Michael Fassbender dá um tom bastante convincente à tortuosa história do personagem, em uma atuação compatível com seu talento pouco utilizado. O mesmo não acontece com Charles Xavier. Apesar de bem interpretado por James McAvoy, a personalidade não combina em nada com o que já se viu do Professor X, mesmo pensando em como ele seria como um jovem adulto. As atuações, de forma geral, estão bastante boas. Infelizmente, a performance de Nicholas Hoult é sublimada pela péssima maquiagem do Fera - especialmente tendo como referência p excelente resultado do mesmo personagem no terceiro X-Men.

É uma pena que em um filme com tantos bons detalhes, sejam os ruins que sobressaem. Mas é fato. A impressão geral que se tem ao final da fita é algo como “até que é legal, mas o que fizeram com o Fera?”. Esse e outros pontos falhos acabam dando um produto final regular, ainda que muito superior ao filme solo do Wolverine que o antecedeu.

10 junho, 2011

Eu Não Quero Voltar Sozinho

Nunca tinha me passado pela cabeça usar este espaço para promover alguns curta-metragens, que você pode assistir aqui mesmo no blog. Pois hoje deparei-me com o belo e sensível Eu Não Quero Voltar Sozinho, curta de Daniel Ribeiro premiado em vários festivais nacionais e exibido também lá fora.

O filme, em pleno 2011, foi censurado no Acre, onde a Assembleia Legislativa proibiu sua exibição na escola Armando Nogueira, esta semana. Sem debate, simplesmente desqualificaram a produção, o que gerou uma carta de repúdio que você pode ler na íntegra aqui.

Assista e veja, além do excelente trabalho de Daniel Ribeiro, o quanto nossa sociedade precisa evoluir.


06 junho, 2011

Se Beber Não Case 2 (The Hangover 2)




Quando Se Beber Não Case saiu em 2009, o ritmo louco e o aparente nonsense alinhado a um ritmo de comédia como há muito não se via conquistou o público. Mas há casos em que não é possível repetir a fórmula, e este é um deles. Saber que haveria uma continuação já era prelúdio para olhares tortos por parte da crítica. E tudo se confirma assim que o filme se desenrola na tela.

A produção nem mesmo se esforça em tentar evoluir um pouco. Ao contrário, a própria construção é exatamente a mesma, o mesmo tipo de apresentação, os mesmos ângulos, os mesmos cortes. Muito pouco foi acrescentado, e tudo o que há de diferente só torna o filme ainda pior.

Agora, misturado ao mistério da ressaca que os personagens devem descobrir, juntaram-se cenas extremamente apelativas - desnecessárias, como o primeiro bem prova. E só. Todo o resto é cópia do original piorado. Sim, há algumas cenas engraçadas, mas tudo poderia ter sido mais em feito - ou, pensando melhor, não deveria ter sido feito. Os talentos envolvidos na produção certamente poderiam ser direcionados para um material original, capaz de, ao menos, aspirar superar o sucesso do filme de 2009.

Um Lugar Qualquer (Somewhere)



Quando Francis Ford Coppola abriu sua produtora independente American Zoetrope, a ideia era dar vazão aos talentos ocultos de cineastas desconhecidos, levando mais arte para o cinema norte-americano. Mas pedidos insistentes dos grandes estúdios - sem falar nas somas também grandes de dinheiro oferecidas a ele - acabaram por desviá-lo do objetivo inicial, e ele ficou mais conhecido por grandes produções como a série Poderoso Chefão e Apocalipse Now. Foi sua filha, Sofia Coppola, quem conseguiu, enfim, seguir o caminho que seu pai gostaria. Cineasta de ideias e estética próprias, em seu currículo só há, por enquanto, um filme que pode chamar-se de grande produção, Maria Antonieta. Os demais são todos um pouco estranhos ao público geral, seja por não chegar às salas comerciais, seja por não fazerem o estilo que agrada à maioria.

Sua última produção, Um Lugar Qualquer, é talvez o mais artístico dos seus filmes. Centrado todo em um único personagem, que é atormentado pelo que não acontece em sua vida, pela falta de perspectivas, o longa tem um ritmo lento, poucos diálogos, e diversas tomadas com vários segundos em um único foco. O suficiente para desavisados saírem da sala antes de terminar o primeiro ato.

Stephen Dorff interpreta o ator sem rumo com bastante eficiência, e as lentes de Sofia não falham em transmitir a angústia do personagem para o público - muitas das tomadas lentas são closes nele. O contraponto é feito pela excelente Elle Fanning - atriz tão boa quanto sua irmã mais famosa, Dakota - que espanta com o realismo com que faz a filha do ator. Uma boa sequência do filme a mostra conversando com um dos amigos do ator, interpretado por Chris Pontius, em um diálogo totalmente improvisado, excelente.

O roteiro é bem trabalhado para fazer com que o público preencha algumas lacunas, e termina exatamente no ponto em que a história precisaria mudar muito para funcionar. Infelizmente, são exatamente essas qualidades que espantam o público acostumado aos roteiros mastigados das produções hollywoodianas, o que faz com o que o filme fique restrito, ao menos no Brasil, aos poucos cinemas de arte, aos festivais, e às sessões cult que algumas redes ainda arriscam fazer.

05 maio, 2011

Thor (Thor)


Quando se pensa em filmes de heróis dos quadrinhos, há uma certa fórmula que nos vem à mente, e que inclusive tem se mostrado eficiente nas produções mais recentes. À exceção do trabalho soberbo feito por Christopher Nolan nos recentes filmes do Batman, em especial Cavaleiro das Trevas, todos os outros primeiros filmes devem mostrar a origem do herói para um público não necessariamente acostumado aos quadrinhos. Isso toma muito tempo da história para contar descobertas, transformações e epifanias, e normalmente só nos minutos finais há a batalha épica esperada.

Thor parte de um princípio levemente diferente: o personagem já é um herói, poderoso e ciente do seu poder, apesar de incompleto. Seu principal inimigo também já conhece seus poderes. E com isso a história parece começar de trás para frente. Ou, para ser mais preciso, lembra em diversos detalhes a peça Henrique V, de Shakespeare. Não por acaso, o diretor é Kenneth Branagh, conhecido por diversas adaptações do bardo para a telona.

Branagh reuniu um elenco estrelar. Anthony Hopkins no papel de Odin é uma escolha irrepreensível, assim como Stellan Skarsgård e Natalie Portman. Mas as boas surpresas estão no protagonista e antagonista, ambos vividos por atores não muito conhecidos. Chris Hemsworth tem o rosto, o porte e a voz de Thor, além de ser um ator competente. Mas a cena é roubada memso pot Tom Hiddleston como Loki. Sua atuação tem nuances sensacionais, transformando um papel já difícil em uma performance soberba.

Apesar de todas essas qualidades, parece que no final da sessão faltou algo. Pensando novamente nos filmes de heróis de quadrinho, a impressão é de que pouco foi aproveitado das cenas de ação esperadas. Branagh parece ter tentado colocar muita profundidade shakespereana, mas não se ligou para o que o gênero praticamente exige. Isso pode ser bom, e Cavaleiro das Trevas, novamente, é um exemplo primoroso disso. Mas Thor não alcança os mesmos níveis, e acaba sendo um bom filme, mas não dos melhores de heróis dos quadrinhos.

14 abril, 2011

Rio (Rio)


Uma animação do principal nome brasileiro no mundo do CG, ambientada no Rio de Janeiro é, por si só, um motivo mais que válido para comprar o ingresso. Felizmente, uma vez dentro da sala, as recompensas vão se somando. Rio traz de volta um pouco do ambiente criativo das primeiras animações por computador, quando o custo alto de cada pequeno trecho de filme era muito alto, e por isso o cuidado com o roteiro era extremo. Aliado às novas técnicas e capacidades tecnológicas, e apoiando-se na diversidade cromática brasileira, é um deleite para os olhos.

Carlos Saldanha, desde o começo, arrisca em sua BlueSky mais que outros estúdios, mesmo que a Pixar, quando o assunto é ação e, digamos, física aplicada à animação. Vimos isso nos três A Era do Gelo, e mesmo em Robôs. Com os pássaros de Rio, essa característica de Saldanha literalmente ganha asas. E mesmo assim a intensidade das cenas é sempre coerente com o roteiro.

Com todo respeito aos dubladores meus conterrâneos, se puder, prefira assistir a versão legendada. Não só as atuações vocais de Anne Hathaway, Jesse Eisenberg, Will.i.am, Jamie Foxx e Jemaine Clement, para citar só os principais, estão excelentes, como há alguns trechos de diálogo em que a confusão entre línguas é essencial - aliás, gostaria se saber como fizeram com os momentos em que Linda não entende quando falam com ela em português. Quem assistiu à versão dublada, por favor, coloque nos comentários.

Ah, sim, tem a tal polêmica do filme mostrar um Rio feito só de praias, favelas e carnaval - e feito por um brasileiro, ainda por cima. Bobagem. Pra começar, a intenção nunca foi retratar a realidade. Além disso, o Rio que aparece no filme é, de certo modo, fiel, apesar de segmentado. Mas não se importe com isso. Entre no cinema com a certeza de diversão e risadas garantidas.