26 dezembro, 2007

O Sobrevivente (Rescue Dawn)




Werner Herzog é um dos maiores cineastas vivos. Sua importância supera Spielberg, Scorcese e mesmo Copolla. Seu currículo possui 54 produções, sendo que em 44 delas assina também o roteiro. Tem um apreço especial por histórias reais, e é nelas que estão suas obras mais conhecidas, como a de Kaspar Hauser e, recentemente, do homem-urso Timoty Treadwell. É sabidamente o único diretor que foi capaz de controlar o explosivo ator Klaus Kinski, que foi também um dos melhores amigos de Herzog e fonte de um documentário do diretor. Uma apresentação dessas faz com que assistir a um filme dele seja, por si só, um acontecimento.

O Sobrevivente é, como bem gosta o alemão, uma história real, de um piloto alemão naturalizado norte-americano que cai na sua primeira missão na guerra do Vietnã, e é capturado. Herzog tem a habilidade de nos colocar na pele dos seus protagonistas, e aqui ela é usada com primazia. Em diversos momentos no filme temos rápidas incursões em primeira pessoa, mostrando como o soldado Dieter Dengler vê o ambiente hostil em que está perdido. Também passamos vários minutos sem ouvir uma palavra inteligível - ou seja, os diálogos na língua vietnamita não são legendados, e o personagem principal nada fala. Essa combinação nos transporta muito facilmente para a floresta tropical que é cenário do filme, e cria uma empatia única com o protagonista.

Alguém capaz de trabalhar seguidamente com Kinski só pode ser um bom diretor de atores, e Herzog demonstra isso a cada cena no filme. O tenente retratado por Christian Bale é ousado e bem humorado, mesmo nos momentos mais difíceis. Bale é experiente em estar perdido no meio de uma guerra. Um dos seus primeiros filmes, ainda criança, foi o excelente Império do Sol de Spielberg. Aqui ele contracena com Steve Zahn, que demonstra uma excelente atuação, finalmente saindo das comédias bobinhas em que costuma atuar. E é preciso também elogiar Jeremy Davies no papel do perturbado Gene. Alguns dos soldados vietnamitas estão tão bem retratados que quase sentimos que são reais.

Infelizmente, como muito do bom cinema, Herzog não é para todos. A sua utilização da linguagem cinematográfica espanta muitos - especialmente aqueles mais afeitos a piadas escatológicas, efeitos especiais e roteiros óbvios. Ao contrário dos nomes a quem o comparei no primeiro parágrafo, ele filma muito pouco para a massa, e seus filmes são sempre densos. Para quem tem algum apreço pelo cinema como arte, todos os títulos do diretor são obrigatórios, e este não é diferente.

2 comentários:

Davidson disse...

Bacana, cara, seu blog lembra o meu.

Mas tomara que o seu receba visitas...

o meu anda as moscas.

as moscas...

Davidson disse...

Sem querer propagandear...

www.cafecomcinema2.blogspot.com