02 março, 2008

Jogos do Poder (Charlie Wilson's War)




Não é comum vermos filmes que abrem os bastidores da política norte-americana. Como um país nascido e criado com manobras políticas, compreender como as coisas funcionam lá é praticamente um segredo industrial. Mas, vez por outra, algum cineasta se aventura. Mike Nichols já o fez, e pelo jeito gostou tanto que agora faz novamente. Mais conhecido pelo excelente Closer, o diretor alemão apresentou, há 10 anos, uma versão mascarada da eleição do ex-presidente Bill Clinton, no filme Segredos do Poder - aparentemente o tradutor do título de então é o mesmo de agora. Se em Segredos ele invade o processo eleitoral, em Jogos do Poder ele entra de cabeça na política, e mostra a campanha interna do congressista Charlie Wilson para armar o Afeganistão e, assim, barrar a União Soviética, no auge da Guerra Fria.

Nichols tem sempre muito cuidado ao escolher seus atores. Para o trio principal deste, só tiros certeiros. Tom Hanks, Julia Roberts e Philip Seymor Hoffman estão bastante à vontade nos papéis do congressista, da socialite e do espião que o ajudaram, respectivamente. Com diálogos bem trabalhados, a fita mostra o verdadeiro submundo que é o poder dos Estados Unidos visto por dentro, em que manipulações e favores valem ouro. Nas mãos de atores do porte daqueles três, temos um pequeno espetáculo na grande tela.

E também nas mãos de um diretor experiente. Dos hit dos anos 80 Uma Secretária de Futuro a Gaiola das Loucas, passando pelo quase terror Lobo e pelo eterno A Primeira Noite de Um Homem, Nichols já passeou por diversos estilos, e também por diversos bons atores. Ele sabe o que faz. Mesmo Jogos do Poder não sendo um filme maravilhoso, é bom o suficiente para nos divertir, acima de toda a revolta com a sujeira que vemos varrida para baixo dos tapetes do poder. Vale prestar atenção à história que o espião Gust conta quase no final, sobre o garoto e o mestre zen. Os Estados Unidos armaram e treinaram o Afeganistão, e assim conseguiram a primeira derrota da União Soviética. Bom para eles, não? "Veremos", diria o mestre zen. Em tempo: com as armas e o treinamento norte-americanos, a fundamentalista Al-Qaeda foi formada.

Um comentário:

Bruno disse...

Assisti esse ontem (09/03).
Achei muito bom mesmo, principalmente o Philip Seymor que vem me surpreendendo a cada dia com suas interpretações. Porém não me espantei quando boa parte dos 20 que estavam na sala saíram antes mesmo da metade do filme. Por tratar de um assunto "desconhecido" da maioria dos brasileiros, o filme se torna confuso e chato. Mais um sinal que essa próxima geração do Brasil está fadada a ignorância e debilidade cultural.