17 fevereiro, 2008

Juno (Juno)




A indústria cinematográfica norte-americana é imensa, a mais avançada do mundo em recursos, e uma das que mais produz - perde incrivelmente para a Índia e, pasmem, Nigéria. A maioria das produções são levemente pasteurizadas, há muitos filmes de ação com vastos efeitos especiais, muita bobagem classificada como comédia, tudo aquilo que todos já sabemos. Mas ainda há bom cinema acontecendo lá, quase sempre em uma vertente "alternativa" - entre aspas, pois o alternativo deles é uma superprodução em quase qualquer outro lugar. E esses filmes têm chamado a atenção. Não é à toa que a maioria das grandes produtoras tem uma vertente alternativa, que busca talentos a serem desenvolvidos. Jason Reitman é um desses. O canadense fez vários curtas até dirigir o excelente Obrigado Por Fumar. No ano passado, ele uniu-se à roteirista novata Diablo Cody, e juntos fizeram Juno.

O filme conta a história de uma adolescente que descobre estar grávida de um amigo do colégio. O filme poderia ir para o lado dramalhesco, defendendo o direito ao aborto ou sendo contra ele, mostrando como o sistema de adoção funciona lá, pregando que os jovens devem ter mais cuidado em suas relações sexuais. Poderia ir para o trágico, mostrando o futuro perdido da menina, por um deslize bobo. Esses seriam os caminhos fáceis - o que os filmes pasteurizados escolheriam. Mas eles escolheram a comédia sarcástica. A direção lembra um pouco o Pequena Miss Sunshine, com seus diálogos cortantes e ainda assim engraçados.

Ellen Page, a jovem do papel principal, já tem alguma experiência como atriz. Há algum tempo, fez um excelente papel em Menina má.com. Ela veste Juno como se fosse a roupa que usa desde sempre. Sua atuação é excelente, e destaca-se facilmente no filme. Tão fácil que o resto do elenco parece meio deslocado. Jennifer Garner e Jason Bateman, como o casal disposto a adotar a criança de Juno, é o estereótipo da mentira do american way of life. Ele, especialmente, esforça-se para fazer o seu papel de bem-sucedido mas infeliz, mas falta-lhe alguma expressão. Quem se sai bem também é, não por acaso, o pai, Michael Cera. Ele foi elogiado recentemente por Superbad, e aqui merece novamente aplausos. Seu adolescente falsamente bobo é quase perfeito.

Juno é simpático, sensível, e muito engraçado. É o tipo de filme que gostaríamos de ver mais, que consegue divertir na medida e ainda ser uma grande realização cinematográfica. Concorre ao prêmio máximo da Academia Norte-americana, mas o páreo está duro. Ainda assim, é o único na lista quíntupla capaz de agradar a todos, o que por si só já o torna imperdível.

Um comentário:

LULETY disse...

Sinceramente, não gostei. Achei que fosse melhor qto falavam...