22 junho, 2008

Wall•E (Wall•E)




A Pixar não brinca em serviço. Desde o seu primeiro longa de animação 3D, há mais de 10 anos, não fez nenhum filme médio. Enfrentou a concorrência crescente e manteve-se sempre na ponta, tanto tecnicamente quando na qualidade dos roteiros. Soube se renovar quando preciso, e manter as origens sempre. Enfim, os caras são bons. Wall•E, o último, não supera Rattatouille como história, mas apresenta inovações marcantes e a beleza primorosa de sempre.

Quase não há diálogos. Essa é uma diferença importante em um longa. Mas deixe-me corrigir algo: quase não há diálogos falados. Porque existe, sim, entendimento completo entre o que os robôs falam, tanto entre si quanto com o público. É impressionante que isso tenha sido atingido apenas por sons básicos e por expressões. Mais impressionante ainda o fato das expressões virem de robôs. Aliás, um ponto da qualidade Pixar é o cuidado na modelagem dos seus personagens. Do simpático Wall•E à modernosa Eva, passando por todos os seus colegas, basta uma rápida olhada para sabermos quem são e o que fazem.

Outra inovação é a presença, pela primeira vez em animações 3D, de imagens filmadas com atores. Tanto nas cenas de Alô Dolly! que o robozinho adora assistir, quando nas imagens e anúncios da empresa responsável por poluir - e depois limpar - o planeta, vemos pessoas de carne e osso. Apenas um detalhe que poderia ter sido resolvido de outra forma, mas que dá uma certa pimenta à produção, assim como as sempre presentes referências - o robô que comanda a nave Axiom lembra, em aparência - uma luz vermelha - e em atitude, a inteligência artificial HAL do filme 2001, Uma Odisséia no Espaço. Isso para ficar apenas na mais óbvia.

Comovente e engraçado, com uma lição moral presente mas que não prejudica em nada, Wall•E é uma prova de que a Pixar não está disposta a deixar seu posto tão cedo - e não é fácil. Ao mesmo tempo em que mantém, como sempre, os adultos muito bem entretidos, o filme mantém as crianças nas poltronas com facilidade. E, desta vez, até mesmo crianças menores - sim, elas também vão entender os sons e expressões dos autômatos. Para quem quer diversão com qualidade, e duvida que objetos de metal possam ser fofinhos.

Um comentário:

[D]iógenes de Souza disse...

Pode parecer óbvio, mas ainda me surpreendo com a qualidade dos desenhos de hoje. Outra coisa interessante, mas tb pode soar óbvia, é que foi-se o tempo em que desenhos eram só para crianças.